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Oi, Z.,

São Paulo, 14 de julho de 2015
Oi, Z.,
Há meses e meses venho pensando em te escrever. Atropelei a ordem misteriosa da vida e anunciei o meu desejo de te dizer o que nem sabia. Desculpa ter demorado tanto. No dia em que ganhei o casal de cangaceiros que você me trouxe de uma viagem, derrubei uma das peças no chão. O braço da cangaceira quebrou. Por sorte, J. encontrou o pequeno pedaço, que só foi ser colado meses depois. (Mais uma vez a ordem misteriosa das coisas se impõe sobre nossa vontade.) Hoje, restaurado, o casal de nordestinos enfeita a minha cozinha. E por isso, todos os dias, lembro de você: o carinho que veio de longe, quando menos esperei recebê-lo, e sua perda imensa, quando você menos esperou vivê-la. Pode parecer triste, mas não é. O que eu vejo, quando, na pressa do dia, meus olhos correm sobre a bancada da cozinha, capturando aquelas duas peças coloridas, é que a vida, o que também posso chamar a ordem misteriosa das coisas, é justamente esse rastro de cor que fica captur…

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